Domínio Público


a cor do dinheiro

qual o preço da tua alma no leilão dos desesperados ?

quantas moedas são necessárias
para entregar a cabeça de seu amigo
em uma bandeja de prata ?

qual a cor do dinheiro que te compra ?
qual a cor da tua dor ?
qual a cor do dinheiro que corrompe o país dos desiguais



Escrito por Flávio Machado às 02:06
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meta poema 3

importa a luz invadindo a sala
iluminando os quadros
queimando o corpo
dourando as frutas apodrecidas

importa redescobrir dentro da manhã:
a brisa
a lua
uma mulher nua

importa raros assuntos
notícias de guerra
a morte banalizada
dos inocentes nas ruas das grandes cidades

o discurso dos vencidos
dos que acreditam
na redenção da humanidade
não alterará a cotação do dólar
ou das ações na bolsa de valores
não influenciará os partidos
os governantes
não diminuirá a fúria assassina dos narcotraficantes
não modificará a história
não salvará a América latina

pelos becos o sangue escorrendo pelo corpo suado
esquivando da troca de tiros
desafiando o inimigo
no meio do bombardeio
sombras confusas
a noite apagada
a fuga
ao volante desgovernado do destino

as crianças da cidade alta
as prostitutas dos bairros baixos
passeiam pela rua da paz no domingo deserto

as lojas fechadas
os ratos sob o céu cinzento da guanabara
restos de paisagem verde
dançam as impressões sobre as telas manchadas.


Escrito por Flávio Machado às 01:07
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noite feliz

 

não vejo nos natais
qualquer sentido
desabo à meia-noite
como um prédio mal construído

o que sinto é a busca mercantilista
o presente não comprado
o amigo ausente
a casa vazia

chego à conclusão
de que não gosto mais do natal
e de que não sei o quê na canção
chamam de noite feliz.


(por onde andará o menino
que fingia dormir
para surpreender papai noel).



Escrito por Flávio Machado às 08:38
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 à máquina do mundo de Drumonnd




a máquina do mundo
emperrou por falta de óleo nas engrenagens carcomidas
a chiadeira excedeu a rua fabril

ruído superior ao permitido pela legislação ambiental
o tempo este não parou
o mundo que se vire com seus defeitos

não houve mecânico que a ajustasse
a tarde fechou e não ouviram - se os sinos
e sim os gritos desesperados das ruas e o dos desertos


Escrito por Flávio Machado às 13:05
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Flip nunca mais

Pessoal preciso desabafar , para não estourar. Então, eu conheci a Flip na sua primeira edição, não participei dos quatro dias, fui apenas para assisitir ao Ferreira Gullar que lançava livro novo, acho que era o Relampagos, ainda não tinha essa mega estrutura, soube que esse ano a coisa aumentou de tamanho, as rmesas aconteciam no Centro Cultural, levei  ou  meu livro: Sala de Espera fresquinho, e tive a audácia de entregar um exemplar para o Ferreira Gullar. A segunda edição não fui, já estava bombando o negócio. Na terceira  cheguei no primeiro dia, não assisti ao show de Paulinho da Viola, culpa do transito do Rio, Carol tinha vindo de Portugal e nos acompanhou, eu e Ana, tomamos muito café pelas tardes, assistimos a várias mesas, dias frios e belos  em Paraty, teve alguns contratempos como fazer uma cagada na máquina digital recém comprada e perder várias fotos, como a que Carol tirou com o Jô Soares, entregando o meu livro. Eu falei poesia na rua, subi em um banco de madeira e li os poemas do livro. A terceira no ano seguinte, fomos eu e Ana apenas, meio lua de mel, foram vários passeios pela cidade e por Trindade. E de novo o contratempo, estava selecionado pela Off Flip para ler os meus poemas, e fiquei na fila, mas começaram uns poemas com tanta porcaria que abandonei o evento. Depois vieram as trevas em 2007 estava viajando muito a trabalho e querendo ficar em casa, descobrindo as belezas de Cabo Frio. Ano passado, eu ano não me liguei, mas como Márcia Maia tinha ganho o prêmio,da off Flip e Inah também estava por lá, surgiu uma vontade danada de ir a Paraty, mas faltou grana, Ana tinha um casamento da sobrinha para ir em Portugal e não sobrou grana, mas até o sábado ainda tinha esperança de ir, quando Ana passou muito mal e fiquei em casa. Esse ano de 2009 foi mais dolorido, tinha esperança de ser selecionado para a oficina de poesia da Flip e não deu, sobrou  o concurso off Flip, também não deu. apartir de hoje (01/07/09) companheiros é uma saravaida de notícias, aliás desde de ontem,no café da manhã na empresa, e gente falando, são escritores para todo lado dando cabeçada na praça da matriz, enfim uma tortura, e de novo tem um casamento na história, o de minha enteada,  a quem considero filha, Carol, casa no dia 25/07/2009, e dessa vez a grana extrapolou, foi um tal de finaciamento pra cá e pra lá, junto com o finaciamento do imóvel, e não sai mais do vermelho. Não ainda sei se conseguirei grana para ir ao casamento de Carol em Portugal, vou tirar passporte, a passagem está difícil de comprar, somente um milagre, e milagres não andam por aí dando sopa. Só tenho uma saída, desligar a televisão, não comprar o JB ou qualquer outro jornal,  bloquear as mensagens que recebo diariamente da Flip, desligar a televisão na hora dos telejornais. Hoje tenho uma palestra para ministrar  às 16  horas e amanhã uma viagem para Vitória, e como Ana viajou para o casamento, o  sábado será dia de fazer compras para semana e ver como estão as coisas com Virgílio, então Flip nunca mais, e falo de que no próximo ano não vou participar de bosta de concurso nenhum, nem off nem out, nada de Flip, os cinquentinha da inscrição estão fazendo falta,  fora a frustração , então Flip nunca mais, vou tentar fazer outras coisas por aqui para tentar ignorar a festa literária, até porque tem algumas mesas que não assistiria nem que me pagassem, como a do autor de Deus um delírio, acho que ele é o próprio delírio. Estou pensando seriamente em criar a minha própria Flip, ou outro nome, quem sabe, conversei com algumas pessoas da cidade e quero tocar esse projeto, quero fazer diferente sem concurso, participa quem quiser, nada de ingresso, tudo 0800 e de preferência ao ar livre em uma das praias de Cabo Frio, montar uma estrutura de circo, quem sabe, bom esse é o meu "delírio".



Escrito por Flávio Machado às 14:32
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via lagos
 
 
a estrada margeada
por casebres provisórios
como todo o resto
 
o papel que recebe passivo
o poeta delirando diante  
da obra em destruição.
 
 
Flávio Machado


Escrito por Flávio Machado às 16:44
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Inverno


estou seco
mais do que o rio
e por mais que escave o leito
nenhum fio úmido aflora

restam seixos e detritos
da prolongada estiagem

tudo é tão áspero
e árido
que um simples riscar de fósforo
incendiaria toda a paisagem

Flávio Machado

 



Escrito por Flávio Machado às 14:37
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happy end é invenção de hollywood
 
 
abaixo da linha do equador
a neve é falsa
as árvores são derrubadas por kilometros
as crianças andam de armas na mão
 
o bom  velhinho morreu sem atendimento na fila do hospital
e de teimoso sobrevivemos
contra tudo e contra todos
fora dos planos de expansão do bolsa família
a manhã é ácida e amarga
a enxurrada de lama partindo da capital federal
carregou pelo bueiro a esperança.
 
 
Flávio Machado



Escrito por Flávio Machado às 14:28
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Sala de Espera
Flávio Machado
Capa: Felipe Magalhães
64 páginas - Preço: R$ 15,00

Poeta nascido no subúrbio carioca participou de movimentos literários no final dos anos 70 e início dos anos 80. Escreveu na infância peças para teatro de bonecos, influenciado por Oswald de Andrade, colaborou com vários órgãos da imprensa alternativa e participou de diversas Antologias brasileiras. É Engenheiro Agrônomo e de Segurança do Trabalho. Este é o seu primeiro livro solo. Em sua apresentação, diz o autor: "falar em primeira pessoa é exercício que nào me deixa à vontade. Prefiro que a poesia transmita o recado".

   

Os pedidos deverão ser feitos através de nosso e-mail:
poesiasflavio@uol.com.br
 


Escrito por Flávio Machado às 07:51
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O primeiro poema a gente nunca esquece.

 

6.34
 
 
de matemática
nunca gostei
a álgebra que sei
e o número da cor da tinta
do meu cabelo.
 
 
 
Ana Cesar


Escrito por Flávio Machado às 11:12
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Escrito por Flávio Machado às 10:14
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BRASIL, Sudeste, CABO FRIO, OGIVA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese
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